• Galeria Calixto 36

A arte e o luto

POR LUISA CLAUSON


Morte. Perda. Dor.

Esses três sentimentos apadrinharam meu crescimento na adolescência, na forma de depressão e uma doença crônica que, na época, era invalidada pelos médicos como uma loucura, manha ou apenas “ser mulher”.


A arte ainda não tinha este nome para mim, mas era um bote salva-vidas para uma criança constantemente à beira do afogamento. Eu pintava com qualquer material que encontrasse, desenhava com o que tivesse às mãos e escrevia todos os dias. Expressar o que eu sentia era tão natural quanto respirar e manter este material oculto também. A sociedade me moldou como moldou a todos nós. Me fazendo acreditar que eu era a única a passar por tanta dor em um universo perfeito. A arte me abraçou em meio a essa solidão, e então eu cresci.