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Arte sem borracha

Você já reparou como basta deixar uma folha em branco e alguns lápis coloridos em cima de uma mesa que as crianças inevitavelmente se sentem atraídas? A arte é tão natural em nós, humanos, que independente da personalidade e das aptidões profissionais, todas as crianças se sentem impelidas a criar. Bom seria se nos déssemos a permissão de sermos sempre assim, né?




Quando eu era pequena fazia aulas extracurriculares de arte. A motivação parece bem óbvia, minha mãe sabia que era para o bem das paredes de casa. Somente as do quarto estavam liberadas para serem riscadas. E nessas aulas aprendi uma lição que carrego sempre comigo e sempre aplico nas oficinas que ministro. Não deixar a criança usar borracha. É sério.


Geralmente quando falo isso nas oficinas a primeira reação que vejo é a de desespero. "Como assim não posso apagar?”. Crianças de 6 a 9 anos recheadas de insegurança. Gostariam de atingir um patamar e uma perfeição descabida para a idade delas. Desejavam desenhar como tantos outros que já viram em suas ainda curtas vidas sem precisar percorrer o caminho. Obras-primas na velocidade dos time-lapses (aqueles vídeos acelerados que mostram o processo das pinturas).


Mas o segredo é outro: a emoção não está no resultado. É o trajeto que nos ensina. E calma, sempre há o papel rascunho e um tempo para o projeto, não é mesmo? É nessa hora que o traço precisa ser suave. Nossas mãos vão e voltam inúmeras vezes antes de marcar o traço com mais força.


E assim elas começam. Temerosas.


Nesse momento precisamos deixá-las ser. Algumas mal começam e já voam. Outra crianças precisam de mais tempo para caminhar. Mas eventualmente todas ganham autonomia e confiança. Aprendem a enxergar que na maioria das vezes o que sai no papel é muito diferente do que está nas nossas cabeças. E são lindos assim mesmo.


Fazer arte sem borracha é aprender a viver.

Aprender a transformar o que parece erro em novas possibilidades é se libertar de uma busca pela perfeição que nos impede de sair do lugar. É mudar a rota sempre que necessário. É saber que todos os nossos atos tem consequência. Que o “undo" (desfazer) só existe no computador. Nada de pânico. Vamos é seguir em frente.


Nessa semana das crianças, gostaria que todas pudessem ter um papel sem borracha e uma moldura, para pendurar na parede a arte linda e imprevisível da vida.




Mineira de Belo Horizonte, Helena de Cortez é artista plástica e ilustradora. Faz uso da arte como uma extensão de si mesma, transmitindo sentimentos através da fluidez de suas pinceladas. Já participou de exposições individuais e coletivas, na sua cidade natal e também em São Paulo, onde reside atualmente.

Veja todas as obras disponíveis da artista clicando aqui.

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