• Galeria Calixto 36

INTERSECÇÕES

Os sócios Daniel Feijó e Mari K Neves falam sobre suas trajetórias e o início da GC36


A GC36 nasceu há pouco mais de 15 meses com o objetivo de promover a arte independente, estreitando a conexão entre artistas e seus públicos. Temos orgulho em promover o trabalho de mais de 20 artistas na nossa loja física, localizada em Pinheiros, em frente à maior e melhor feira de antiguidades e artes de São Paulo.


Tudo que criamos ao longo de 15 meses de história da GC36 está em pausa por decreto do Governo devido ao COVID-19. Fechamos nossas portas por tempo indeterminado para não colocarmos em risco a saúde dos nossos clientes e equipe, mas decidimos (r)existir mesmo perante ao cenário de incertezas futuras.


Diante disso, criamos nossa plataforma online para continuarmos a fortalecer a arte independente, onde você poderá conhecer o trabalho de diversos artistas e comprar algumas de suas obras, além de ter acesso a conteúdos criados pela nossa rede de artistas aqui no Blog 36.


Para marcar este novo ciclo, te convidamos a conhecer um pouco do nosso início.


Era apenas uma brincadeira e foi crescendo

por Daniel Feijó


Nasci em uma cidade de cultura efervescente. Desde pequeno, Recife me fez ver muita beleza em coisas simples do cotidiano. A “Veneza brasileira”, cheia de rios, pontes e overdrives, de uma forma ou de outra mexia com as minhas inquietações. O registro fotográfico ainda não se fazia tão presente na minha vida, mas já me encantava a ideia de pausar o tempo. 


Meus pais nunca me incentivaram a seguir as artes. Meus primeiros trabalhos foram bem formais, até cheguei a cursar ADM, mas logo vi que não era a minha praia. Meu pai faleceu quando eu tinha 17 anos. Anos depois, quis seguir meu coração e resolvi que faria alguma coisa que me motivasse de verdade. Foi então que me matriculei em um curso de fotografia no SENAC - PE e lá fiz um curso técnico que mudou a minha vida. Passei a olhar quase tudo por outro ponto de vista. O lado "B" das coisas cada vez mais florescia diante de mim.  


Tive a sorte de conhecer pessoas maravilhosas pelo caminho, vivi experiências que nunca esperei viver, comecei a trabalhar com o que me fazia feliz. A fotografia chegou na minha vida como uma bola para um garoto louco por futebol. Lembro da primeira câmera fotográfica que comprei com a ajuda de alguns amigos, que viam em mim aquela paixão, aquela vontade de desenhar com a luz e de eternizar momentos especiais. Literalmente "tudo era apenas uma brincadeira e foi crescendo, crescendo e me absorvendo".  



Fiz diversos trabalhos na fotografia, prestando serviços para grandes empresas como Petrobras, SulAmerica, Globo, Abrasel, Unilever, HiperCard, entre outras. Além de fotografar para diversas assessorias de imprensa do estado de Pernambuco. Mesmo com toda essa bagagem adquirida, sentia que ainda não estava satisfeito o suficiente. Precisava de algo com mais alma, mais artístico, isso sim fazia falta no meu trabalho. Percebi que eu tinha certas limitações na entrega do meu material e que por muitas vezes era podado por editores. Isso me fez mudar o rumo da minha trajetória. 


Idas e vindas

por Mari K Neves


Sempre me senti atraída pela arte. Entre todos os passeios culturais que meus pais faziam questão de promover quando eu era criança, ir a exposições e museus sempre foram meus favoritos. 


Eu gosto de desenhar e pintar desde sempre, mas minha trajetória como artista não é a tradicional “desenho desde que aprendi a segurar o lápis”. O perfeccionismo, que pode ser uma ótima qualidade, na hora de desenhar me atrapalhava e, com o tempo, fui me afastando do lápis. Sempre acabava voltando, fiz alguns meses de curso de desenho, de costura, além das aulas extras de arte e fotografia na escola, mas não enxergava talento em mim e logo parava por mais um tempo.


Entre essas idas e vindas, conheci o design e me identifiquei, tinha me encontrado alí. Descobri que no design, eu podia desenhar sem desenhar. Desenhava revistas, marcas e embalagens de forma estruturada e seguindo um planejamento. Até então, eu achava que arte só era arte se fosse fluida e carregada de sentimentos e eu não sabia como fazer isso. Uma carreira em comunicação visual, com uma visão mais prática parecia que tinha sido feita pra mim.


Me formei em Design com habilitação em Comunicação Visual pelo Centro Universitário SENAC e segui carreira como designer gráfico. Trabalhei em ótimas agências como a New Content e em editoras reconhecidas, como Abril, Trip e Todavia e, em paralelo, fundei a Rosa de Papel, um empresa de papelarias exclusivas para casamentos e outros eventos.




Foi criando convites para casamentos que eu finalmente voltei a pegar no lápis e não larguei mais. A experiência como designer me ensinou outra forma de olhar para a arte, agora eu conseguia me enxergar nesse mundo. Logo os convites com ilustrações botânicas viraram o carro chefe da minha empresa e eu percebi que essa era minha parte favorita de todos os projetos.



Aos poucos, fui testando novas técnicas e materiais e decidi que estava na hora de assumir pra mim que era isso que eu queria fazer da minha vida.


Novos horizontes

por Daniel Feijó


Acordei certo dia decidido a viajar para o sudeste em busca de novos horizontes. Meu primeiro contato foi com o Rio de Janeiro e, em seguida, a cidade de São Paulo, onde vivo até hoje. No início da viagem, me vinha à cabeça que eu tinha largado tudo em busca do sonho de viver da minha fotografia mais artística. Acreditar no meu trabalho autoral não foi tão fácil quanto eu imaginei que seria. Mas logo me vi sem muitas saídas, tinha que fazer valer tudo aquilo que eu tinha deixado para trás. 


Comecei a imprimir minhas imagens em pequenos imãs e saia nas ruas para vender de mão em mão. Logo pude juntar dinheiro para comprar a minha primeira mesa e expor meu trabalho na avenida Paulista, cartão postal da cidade de São Paulo. 



Foi lá que conheci a maior parte dos artistas independentes que me identifico até hoje. Foi lá onde eu aprendi que podemos dar um passo pra trás para darmos centenas deles pra frente. E foi lá que me veio a ideia de criar algo colaborativo, uma espécie de espaço de artes onde vários artistas independentes pudessem expor seus trabalhos autorais. 




Tempos depois de amadurecer todas essas ideias e inquietações me veio a oportunidade de fundar a Galeria Calixto 36, no bairro de Pinheiros. Enfim, meu sonho estava se concretizando, o conceito de galeria de arte colaborativa se tornara físico e meu coração se enchia de alegria com tamanhas realizações.



Foi na GC36 que conheci uma das artistas mais sensíveis que pude me deparar nessa jornada em busca do novo. Por gostar da pessoa e admirar seu trabalho, fiz um convite para Mari K Neves ser minha sócia na galeria e dali em diante, tocarmos juntos o barco em prol de abrir um espaço para vários artistas da cidade e fora dela. Continuo seguindo a minha jornada firme, forte e com o coração aberto aos próximos acontecimentos. 


Novo começo

por Mari K Neves


Comecei a participar de feiras e eventos expondo e vendendo meu trabalho e ter esse contato direto com o público foi encantador.



Foi quando eu conheci a Galeria Calixto 36 e o Daniel Feijó, o fotografo incrível que, com todo seu espírito colaborativo, abriu essa galeria bem pertinho da minha casa. Conversamos bastante e em uma semana meus trabalhos estavam lá, na parede de uma galeria, e eu nem podia acreditar.



Participar da GC36 como artista foi uma das experiências mais enriquecedoras da minha vida, conheci vários artistas com trajetórias e estilos diferentes, aprendi muito com todos eles, aprendi coisas técnicas sobre materiais e fornecedores, aprendi outros jeitos de usar os mesmos materiais e aprendi novas maneiras de olhar para a arte e meu trabalho.



Eu já amava a galeria e toda a experiência de fazer parte dela quando surgiu o convite de sociedade. É incrível fazer parte de uma empresa com um objetivo tão relevante para mim e trabalhar todos os dias para promover a arte autoral criada por diversos artistas independentes.



(R)existir sempre


Nossa loja online surgiu de uma dificuldade, fato. Mas optamos ser algo além disso, escolhemos dar vida a uma plataforma que aproxima artistas de seu público, apresentar novos trabalhos e seus criadores e compartilhar processos, dicas e histórias. 


Enquanto não podemos nos conectar fisicamente, a GC36 está aberta em seu novo formato, com o mesmo propósito, fortalecer a arte autoral e independente.



Conheça a nossa rede de artistas.


Acesse conteúdo criado por eles no Blog36.


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Apoie o trabalho de artistas comprando suas obras em nossa loja online.


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