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Técnicas de autorretrato

Atualizado: 17 de Mai de 2020



POR LUISA CLAUSON


Em tempos de quarentena, todo dia é dia de aprender e compartilhar conhecimentos e gostaria de começar uma série por tempo e capítulos indefinidos sobre algo que já tenho certa familiaridade: autorretrato.


Algumas pessoas me perguntam como fazer para tirar fotos de si mesmas, como eu faço para fazer as minhas fotos, então decidi começar com algo bem simples e explicar em tópicos algumas técnicas de autorretrato.


O primeiro passo é desapegar da ideia de que o retrato tem que ser superprofissional com o melhor equipamento e a melhor iluminação que o dinheiro possa comprar. Eu dou como exemplo que a minha câmera é uma DSLR (agora tenho também uma micro ¾) de 10MP de resolução, e isso nunca interferiu no que eu gostaria de fazer. Claro, tudo dependerá de seu propósito, mas para a maioria das coisas, dá-se um jeito.



Para fazer um autorretrato, basta duas coisas: você e um objeto que imprima uma imagem. Pode ser uma câmera digital, celular, pinhole, câmera analógica, tela e pincel, papel e caneta, vapor na janela e seu dedo, qualquer coisa que possa registrar a visão que você tem de si mesmo.


Focando na fotografia, há alguns empecilhos na hora de executar o autorretrato, e a seguir vou desmistificar alguns deles com o uso de objetos cotidianos, ou a famosa gambiarra.

Tripé:


Qualquer coisa que nivele sua câmera pode ser usada como tripé. Repita isso algumas vezes. As principais que uso, além do próprio tripé, são:


  • Cadeira e banqueta + livros: para dar a altura ideal, vou somando livros, e alguns também sob a objetiva, para que a câmera não fique “caída” para frente. Lembre de ajustar sua lente, caso ela não seja fixa, na distância desejada antes de apoiar.

  • Caixas: caixa de leite, lata de milho, caixa de sapato... qualquer coisa é válida. Peso de porta e pesos de apoiar livros são bons para manter a câmera na posição de retrato. 

  • Garrafas, bonecos, vasos de planta: ótimos para apoiar o celular. 

  • Tem pessoas que já usaram: cães, gatos, ombros dos familiares para apoiar a câmera. Qualquer suporte criativo é bem-vindo, e ninguém vai achar que você é maluco, já que não tem ninguém em casa.

Fundo (Background):


O seu fundo dependerá de duas coisas: da sua proposta e da iluminação usada. Caso seja uma foto em cenário aberto, lembre-se que todos os objetos presentes na imagem devem ter algum propósito na hora de comunicar uma mensagem. Se for uma estante de livros, veja se você não esqueceu um relógio, rolo de papel higiênico, telefone ou outros objetos por ali. Veja se os livros condizem com o que você quer mostrar. Se for um quarto ou cozinha, garanta que não haja sujeiras ou outros itens perdidos por ali.


Caso você opte por um fundo neutro, é possível usar uma parede lisa ou um lençol. Para fotos com close, você pode brincar com texturas de toalhas de mesa, que tem a trama mais aberta, roupas penduradas bem próximas umas às outras, para parecer um emaranhado de tecidos, um casaco comprido que cubra metade de seu corpo. Para um fundo desfocado, você pode escolher um cenário atrás que seja bem colorido quando fora de foco, ou bem iluminado, para grandes contrastes. Até mesmo o encosto de uma cadeira pode servir como fundo para um retrato bem próximo, ou se você está familiarizado com a ferramenta de clonagem do Photoshop.



Iluminação:


Mesmo sendo um dos terrores de muita gente (eu inclusa), a iluminação não precisa ser um bicho de sete cabeças quando temos tempo suficiente para praticar e observar. A única forma de se adequar à linguagem da iluminação é parando e percebendo sua existência. 


  • Iluminação frontal: Para fotos com pouco contraste, explicativas e “bidimensionais”. Pode ser obtida com uma janela bem iluminada e a parte do corpo a ser fotografada de frente para ela.



  • Iluminação lateral: Uma das minhas favoritas, usada para fotos com muito contraste, tridimensionalidade e a sensação de ‘pintura’ que é vista nos quadros de Rembrandt e Caravaggio. Para fazer como Rembrandt, mantenha a luz natural do dia e tenha um foco de luz na lateral. Para fazer como Caravaggio, o ambiente deve se manter escuro e com um ponto focal lateral. Se tiver uma lâmpada com tripé disponível, pode-se colocar a luz na diagonal, de cima para baixo, para obter algum efeito de divindade, e brincar com as sombras que se formam. 



  • Contra a luz: Para fotos mais artísticas e alto contraste, você pode brincar com sua silhueta se posicionando entre a luz e a câmera. Gire o corpo e teste onde a luz bate nas curvas do seu rosto e do corpo. Varie também entre as luzes da manhã e do final tarde, para perceber as nuances que esses horários trazem. 



Existem várias fontes de luz e formas de utilizá-las, mas o importante é testar, e testar também as sombras, que serão um assunto para outro texto.

Timer e poses:


A maioria das câmeras, assim como os celulares, possuem o recurso do timer. Eles costumam variar entre 2 segundos e 10  segundos. O de 2 segundos é muito bom para fotografia de longa exposição, quando até a pressão do botão pode tremer a foto. O de 10 segundos é ótimo para que se possa correr e se preparar para sua pose. Tem também a opção do controle remoto, mas como nunca utilizei, não saberia falar muito sobre ele.


A opção que mais uso é a de timer + disparo contínuo. Nessa opção, após o tempo do timer, a câmera dispara a quantidade de vezes selecionada. Isso dá margem para testar várias poses diferentes e também se entrosar mais com o momento. Lembre-se apenas de respeitar o tempo do disparo antes de trocar de pose, para que a foto não saia mexida ou borrada (a não ser que essa seja sua intenção).

Para ajustar o foco, busque um objeto que seja mais ou menos de sua altura, como uma cadeira, cabideiro, vassoura, e posicione aonde você estará na foto. Com o foco automático (ou manual), focalize no objeto, e o foco estará perfeito para você. Marque também a posição que o objeto estava, para que você saiba que está dentro do quadro, e não se esqueça de tirar o foco do automático antes de apertar o botão, ou terá que focalizar de novo. 



IMPORTANTE: Uma fotografia com foco sharp não é regra. Fotografias desfocadas, borradas, escuras ou apagadas são extremamente válidas quando feitas com intenção. Jogue fora tudo o que você aprendeu sobre fotografia PERFEITA na hora de fazer um autorretrato.

Posição da câmera:


Uma última dica, sobre a posição da câmera em relação ao objeto (que no caso, é você mesmo): 


  • A câmera em um nível abaixo, apontando para cima, denota grandeza e sentimentos de empoderamento. 



  • A câmera em um nível acima, apontada para baixo, denota pequenez, solidão, tristeza, vastidão.  



  • A câmera de frente no mesmo nível de seus olhos, denota confrontamento, empatia, identificação com o objeto da foto. 



Utilize essas três ferramentas com sabedoria para criar sua história.


Espero que este não-tão-breve guia possa ajudá-lo a criar seu autorretrato, e em breve farei um vídeo com a parte conceitual sobre a importância de se registrar e outros textos virão destrinchando cada etapa deste processo. Lembre-se de planejar antes de fotografar, e montar a sua intenção junto das ferramentas técnicas de autorretrato para transmitir suas mensagens com clareza e poder. 

Caso tenha faltado alguma coisa, comenta aqui embaixo que eu esclareço nos comentários, ok?


Luisa busca, em seus retratos surrealistas, respostas para as perguntas: O que dói? O que traz prazer? Utiliza da fotografia, artes plásticas e edição digital para traduzir o que é difícil de entender a olhos nus.

Conheça mais do trabalho de Luisa e veja suas obras disponíveis para compra aqui.

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